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Papéis de gênero, representações e saúde

Thiago Helmer – Graduando em Psicologia

Em 2008, iniciou-se um movimento que possuía como objetivo, promover as discussões sobre a relação homem e saúde, denominado “Um toque, Um drible”. Quase dez anos depois,a campanha “Novembro Azul”, vem se consolidando ao passar dos anos, chamando atenção para promoção de saúde do homem quanto a prevenção do câncer de próstata. Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), no período de 2016/2017, foram estimados 61.200 novos casos de câncer de próstata no Brasil, sendo o tipo de câncer com maior incidência entre os homens.
Os dados são alarmantes e a reflexão sobre os possíveis motivos de um número tão alto, para um tipo de câncer que pode ser prevenido ou descoberto na fase inicial de seu desenvolvimento, possibilitando uma chance alta de cura, permanecem. No entanto, é preciso contextualizar este sujeito no contexto brasileiro, que possui traços machistas e patriarcais, onde as representações de papéis masculinos e femininos trazem uma gama de comportamentos preestabelecidos socialmente.
Portanto, o homem quanto um ser masculino precisa ser provedor, invulnerável e corajoso. Ele precisa promover a segurança da família e não possuir comportamentos desviantes ou femininos, segundo a visão social. Com isso, o homem se distancia, cada vez mais, de um ser que necessita de cuidados e prevenção voltados a saúde, expondo-se a situações de risco para suprir uma expectativa social sobre o papel que exerce, uma vez que, o lugar de sofrimento e vulnerabilidade pertencem ao feminino. Com isto, a resistência dos homens em procurar ajuda médica é grande.
A partir disto, a definição de “gênero como um construtor das relações sociais de poder”, exposta pela historiadora norte-americana Joan Scott em 1980, indica que a questão entre homem e saúde deve ser compreendida de forma relacional, considerando o contexto social de análise, resignificando e reconstruindo conceitos à cerca da saúde e dos papeis de gênero, pois o homem também necessita de cuidados.
Por fim, é necessário dar visibilidade a saúde do homem, afinal, um toque pode proporcionar um drible na descoberta tardia do câncer de próstata, além de desgastes físicos/emocionais com o possível tratamento.

Links relacionados:
https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/10738/2/Disserta%C3%A7%C3%A3o_CHSS_PriscilaNevesSilva.pdf
http://ladoaladopelavida.com.br/campanha/novembro-azul

Nota Oficial 2017 – Rastreamento do Câncer de Próstata