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SUICÍDIO: JOVEM, FAMÍLIA E SOCIEDADE

Magda Sudário Pinheiro-Psicóloga Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental

Setembro Amarelo é uma campanha mundial, iniciada no Brasil por volta de 2015, vinculando o dia 10 de setembro como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. “Falar é a melhor solução”: informar, esclarecer, conscientizar, envolver, mobilizar e prevenir! E por que falar sobre suicídio?

Nos últimos dez anos, o número registrado no Brasil aumentou em 20%, sendo considerado o oitavo país no ranking de suicídio. Por dia, em média, 35 brasileiros tiram a própria vida, e está aumentando entre a população jovem (de 15 a 30 anos). Portanto é um assunto de saúde pública. O Brasil assumiu um compromisso com a Organização Mundial da Saúde (OMS) de reduzir as ocorrências entre 15 e 20% até 2.020, e essa tentativa começa pelo diálogo. Então, vamos falar sobre suicídio?

Dentre os fatores globais de risco estão: sociodemográficos, sociais, culturais e biológicos, ou seja, em parte, também é geneticamente determinado. Entre os jovens, podemos assinalar como fatores estressantes e de risco: humor depressivo, abuso de substâncias psicoativas, histórico familiar de transtornos psiquiátricos, rejeição familiar, negligência, abuso físico e sexual na infância, problemas emocionais, escolares e sociais etc. Às vezes, experiências frustrantes podem desencadear emoções e sentimentos de fracasso, seguidos de pensamentos sobre um futuro sem esperança.

A depressão, entre crianças e jovens, é um dos fatores que podem gerar ideações/tentativas suicidas e suicídio, propriamente dito. Alguns sinais são: desânimo, tristeza, perda de interesse pela vida, isolamento social, alterações do sono e/ou do apetite e falar em desejos de morte ou de suicídio. É mito dizer que falar sobre o assunto aumenta o risco, pelo contrário, falar com alguém sobre isso pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem, assim como, pode gerar sentimento de que não se está sozinho e de que se é amado. Um dos maiores fatores de proteção é perceber-se conectado à família e à comunidade.

Ao longo da vida, a família pode ajudar/prevenir ensinando e aperfeiçoando habilidades emocionais e sociais, tais como: solucionar problemas, tomar decisões, lidar com sentimentos desagradáveis, resolver conflitos e comunicar-se sem medo. E quando já existe o problema? O que não falar: “Tire isso da cabeça”, “Você está tentando chamar a atenção”, “Você não vai fazer isso”. O que falar: “Qual é o problema?”, “Sinto muito por estar se sentindo assim. Como eu posso ajudar?”, “Você não está sozinho”. Sem julgamentos ou críticas, permita que ele ou ela se expresse.

Ouça com atenção e afeto! De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, desconfie se, subitamente, seu filho ou sua filha, que pensava em suicidar-se, parece tranquilo(a), pois isso não significa que o problema já passou. Em geral, alguém que decidiu suicidar-se pode sentir-se “melhor” ou aliviado por ter tomado a decisão de se matar. Em caso de dúvidas o mais adequado é procurar orientações profissionais que possam ajudar a família.
Para maiores informações, você pode entrar em contato conosco, através do Núcleo de Família e Treinamento de Pais (NUFAM-TP) do Espaço Integrar no telefone (31) 3347-5909 ou (31) 98664-7281.

Quer saber mais sobre o assunto? Acesse:
http://www.setembroamarelo.org.br/ (Setembro Amarelo).
https://www.cvv.org.br/ (Centro de Valorização da Vida/CVV).
https://www.youtube.com/watch?v=P8YqSpfzPq (A Prevenção ao suicídio de adolescentes).
https://www.almg.gov.br/acompanhe/tv_assembleia/videos/index.html?idVideo =1184309 (Assembleia Notícia)