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Suicídio e Transtornos Alimentares

Rosa Guimarães- Psicóloga

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) no ano 2000, aproximadamente um milhão de pessoas morreram por suicídio. Isso representa uma morte a cada 40 segundos. É particularmente preocupante ao se observar que esse grupo economicamente ativo, que já é o mais vulnerável a outros tipos de violências em nosso meio, está cada vez mais sob-risco para o suicídio. Contudo, a OMS, numa perspectiva mundial, aponta um valor superior em até 20 vezes. Na população jovem de 15 a 44 anos, as lesões ou traumas decorrentes das tentativas de suicídio é a sexta maior causa de problemas de saúde e incapacitação física. Esses dados colocam as tentativas de suicídio como um grave problema de Saúde Pública mundial, que vem atingindo cada vez mais jovens e gerando sérios danos à saúde, incluindo os psicológicos e socioeconômicos.
Entre os fatores de risco para as tentativas de suicídio sobressaem-se variáveis sócio-demográficas, clínicas, epidemiológicas, deve ser levado em consideração também a história de tentativas de suicídio anteriores e os transtornos mentais. Dentre os transtornos mentais relacionados às tentativas de suicídio, destaca-se a depressão, dependência de álcool; transtorno de estresse pós-traumático; esquizofrenia; transtorno de personalidade; transtornos alimentares e as co-morbidades a esses transtornos.
No que se refere ao suicídio nos sujeitos com transtornos alimentares, é extremamente preocupante a temática, já que raramente é considerado na investigação ou prática clínica. Estudos demonstram que as taxas referentes às tentativas de suicídio em grupos com transtornos alimentares variam entre 13 e 31%2 , que por vezes estão surgindo associadas a compulsão alimentar, a comportamentos purgativos (vomito induzido, uso de laxantes e diuréticos), e também a outros comportamentos compensatórios (jejum, exercício físico excessivo), juntamente a condições psiquiátricas associadas com os transtornos alimentares como transtornos de ansiedade e a depressão.
Estudos apontam um risco aumentado para o suicídio nos casos de transtorno alimentar quando comparados com a população geral. Os fatores de risco, como por exemplo, as condições sociais adversas que contribuem para a impulsividade, promovendo a vulnerabilidade individual para o suicídio e aumentando o risco. Os fatores de risco podem incluir acontecimentos de vida, estresse, doença mental e abuso de substâncias.
A obesidade e o sobrepeso mesmo não sendo considerados transtornos alimentares, podem por vezes estar associados a alguns transtornos mentais. A obesidade é um problema de saúde pública cuja prevalência tem aumentado significativamente nos últimos tempos. Muitos estudos têm mostrado que a obesidade e sobrepeso estão associados a várias complicações médicas e a um aumento da morbidade e da mortalidade. Estudos apontam que o aumento do índice de massa corporal está associado a um risco aumentado de tentativas de suicídio e depressão.
Diante disso, cabe ressaltar a complexidade dos quadros de transtorno alimentar e a necessidade de acompanhamento adequado para que os danos sejam minimizados e promovendo a qualidade de vida desses sujeitos.

Referências
Santos, Simone Agadir, et al. “Prevalência de transtornos mentais nas tentativas de suicídio em um hospital de emergência no Rio de Janeiro, Brasil.” (2009).
Silva, Susana Sofia P., and Ângela Maia. “Experiências adversas na infância e tentativas de suicídio em adultos com obesidade mórbida.” Revista de psiquiatria do Rio Grande do Sul 32.3 (2010): 69-72.